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Para onde vamos?

 

Já passamos pela dieta do ovo, da sopa, do suco de abacaxi. Já abominamos o leite, a farinha de trigo, o pão, a massa e os carboidratos. Já enfatizamos que os vegetais devem ser consumidos “sempre” crus, pois são mais nutritivos. O ovo já foi vilão, assim como o hambúrguer é vilão. Falamos sobre corantes, sobre o glutamato monossódico, sobre compostos químicos e suas implicações fisiológicas. E até o presente momento tenho a sensação de que como profissionais da nutrição, o que mais aprendemos foi julgar o que seria certo ou errado dentro do contexto alimentar.

Houve tempos em que o termo dieta me fazia um sentido enorme e somente quando eu conseguia seguir uma dieta, eu me sentia uma mulher/nutri de sucesso. De fato nos momentos que consegui seguir uma dieta restritiva sempre alcançava o principal objetivo daquele momento: ser magra. Mas com o passar do tempo e com a experiência profissional, me dei conta que nem eu mesmo conseguia cumprir o que prescrevia em um plano alimentar por muito tempo.

O fato é que não me dava conta de que existiam muitos outros valores envolvidos com o meu contexto alimentar. Sentia-me desconfortável quando ia à uma festa e não podia comer o quê a festa ofertava (um bom doce, ou um bom prato). Às vezes o desconforto tinha uma boa função: trazia-me uma sensação de empoderamento e autocontrole; em outros momentos o desconforto me trazia uma sensação de rigidez e foi em um momento de extrema rigidez que me dei conta do quanto a restrição naquele momento não estava de acordo com os meus valores pessoais. Dei-me conta de que a restrição alimentar que realizava era algo pontual, único e exclusivamente para conseguir emagrecer. E me via, em um curto prazo de tempo, me permitindo (como se fosse proibido) comer alimentos mais gordurosos, ou doces, por exemplo. Vi minha vida social restrita na medida em que eu só poderia comer aqueles alimentos que eu achava extremamente importante para o processo de emagrecimento naquele momento, e me percebia, em um curto prazo de tempo, retomando ferozmente aos velhos hábitos alimentares “errados”.

Notei que valores importantes como flexibilidade, socialização e saúde eram vistos em segundo plano e me dei conta de que não era mais assim que eu gostaria de me motivar para mudança do comportamento alimentar. Era uma falsa motivação. Mas em tempo, estamos quase pulando para o outro lado da moeda, onde o termo dieta também é abominado. Eu vi um “meme” do ovo estes dias que explica um pouco do que sinto:

Sabemos que o nosso glúten sofreu alterações genéticas importantes ao longo do tempo, e de fato, tem trazido uma série de sintomas adversos no processo digestivo. Mas me faço esta pergunta diariamente: será que o caminho é abominá-lo?

Hoje, tenho observado em algumas redes sociais que a moda é não fazer dieta e sinto medo quando percebo que a apologia ao “não cuidado alimentar” se sobrepõe a valores importantes como saúde, bem-estar e qualidade de vida. É incontestável que uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos regulares é de extrema importância para que possamos ter longevidade. Não longevidade a qualquer preço, longevidade com bem-estar. Longevidade com qualidade de vida, longevidade com disposição, longevidade com saúde. Sinto medo quando o termo dieta é abominado tanto quanto o glúten (e veja bem, isto não os faz nem melhor, nem pior e menos ainda, comparativo). Na verdade o termo dieta tem um significado simples: cota habitual de alimentos sólidos e líquidos que uma pessoa ingere por dia. Logo não penso que o caminho seja abominar mais alguma coisa: e aqui neste texto, me refiro ao termo “dieta”. Dieta nada mais é do que aquilo que a gente ingere no nosso dia-a-dia, da maneira que a gente consegue, como a gente se propõe com as possibilidades que a gente tem, dentro do contexto que a gente está inserido, com as pessoas que a gente está, com os pensamentos que a gente tem, com as emoções que a gente sente, com as sensações que a gente percebe no corpo (aqui cabe a fome) e com a necessidade fisiológica que a gente tem.

Então queridos, para onde vamos? Para as demandas dos nossos clientes. Atualizando-nos com muito amor, estudo e embasamento teórico nas linhas mais atuais da nutrição comportamental. Estas teorias remetem à contextualização das escolhas alimentares e visam facilitar o processo pela busca do equilíbrio alimentar, tornando o cliente seguro e autônomo para fazer com que o processo de emagrecimento aconteça de forma efetiva a curto, médio e longo prazo. Isto implica restrições? Talvez. Depende do estágio de motivação em que o paciente se encontra e se nesta escolha atende às necessidades fisiológicas do seu corpo, sempre fomentando à auto responsabilidade e as práticas nutricionais seguras e efetivas para a saúde e consequentemente, emagrecimento. Nosso olhar se volta neste momento para os valores dos nossos pacientes, ou seja, o que busco neste processo? Observamos temas importantes nesta busca como: auto-estima, amor pelo meu corpo, saúde, socialização, flexibilidade, autonomia, confiança, segurança, flexibilidade para me vestir.  Estas demandas podem partir desde um planejamento alimentar conjunto visando as necessidades do cliente até optar pelos produtos da linha Delight, os quais tenho tido a deliciosa experiência de conhecer. O fato é: toda mudança baseada em valores se faz efetiva à longo prazo.

Por fim, queremos que o processo pela busca do equilíbrio alimentar faça sentido às demandas do cliente e o torne autônomo e protagonista do seu caminho. Por fim, deixo uma frase autoral publicada em um artigo que escrevi para o livro “Manejo do Comportamento Alimentar” que me faz muito sentido nesta busca: “Não significa dar o caminho, significa dar informações que facilitem o caminhar rumo aos objetivos, dentro da rotina e contexto alimentar que o indivíduo se encontra naquele momento, sempre fazendo sentido à sua individualidade”.

Por Letícia Christianetti – Equipe CREEO.

 

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