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MUDANÇA DE ATITUDES E HÁBITOS. Intoxicados ou desintoxicados – compreendendo o obeso

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Há pouco acabei de ler um artigo no qual uma nutricionista orientava as pessoas de férias e na praia, e ainda com esperanças em emagrecer, levar com elas comidinhas saudáveis como mini cenourinhas, pepinos e palmitos em vez de procurar na barraquinha do pastel e da cervejinha.

Eu fiquei pensando: O gordo aproveita toda esta informação? Se ele sabe de alimentos e calorias com absoluta propriedade, porque ele opta pelos alimentos nutricionalmente não recomendáveis, os hiper calóricos ou industrializados como farinhas brancas, frituras, salgadinhos ou doces em vez dos leves, naturais e ricos em nutrientes essenciais como frutas e verduras naturais, algumas proteínas magras, como queijos ou ovos e até outros orgânicos?

E me respondi: certamente não é por falta de conhecimento ou informação.

Tenho para mim que a resposta combine o fisiológico com o psicológico: As pessoas de modo geral em circunstâncias da vida, quando lidam com desejos, carências e ansiedades frequentemente se deparam com o sentimento de frustração. Estes, muitas vezes, podem ser confortados com a auto compensação que proporciona alívio ou prazer. É da natureza do ser humano este tipo de funcionamento. Desviar para alguma solução alternativa, às vezes saudável e normativa, como uma psicoterapia, um esporte, uma conversa com amigos e as vezes disfuncional, dependendo dos recursos internos de cada pessoa.  Os gordos passam também por isso, e se bem nunca procuram engordar, essa população aprendeu a extrair e obter de forma intensa prazer, saciedade e outras substancias químicas produzidas pelo organismo de alguns alimentos.

Para lidar com o mesmo funcionamento psico biológico outras pessoas desenvolveram outras adições com os mesmos propósitos como os roedores de unhas, os tabagistas, alcoólicos, jogadores compulsivos, compradores compulsivos, dependentes de substâncias diferentes, etc. Algumas pessoas só sabem que tem esta tendência somente na hora de desenvolver esta relação aditiva.

O gordo quando tem dificuldades procura o alívio prazeroso de uma comida rápida em vez de enfrentar “fomes” muito mais complicadas de resolver. Como a fome de amor, a sede de intimidade, a inveja da fulana de lá, que passa o tempo inteiro comendo e tem um corpo escultural, a angustia de não saber o que seu marido está fazendo na cidade, a ansiedade de sempre, etc. Todos temos nossos mecanismos de defesa, o problema é que o obeso dissocia o comer de suas consequências, e ele não consegue obter de um pepino em conserva o que extrai de um doce. Existem explicações fisiológicas neste sentido que seriam assunto de outro artigo.

Portanto, quem não aceita e trata suas verdadeiras necessidades são normalmente os que acharão absurda a proposta da nossa incauta nutricionista. Mas estão os outros, os que sim se tratam e escolhem sentir essas fomes emocionais, mas não se “intoxicar” comendo e sim buscando alternativas para resolver seus problemas com uma cabeça desintoxicada.

Marcelo Kessler

Fundador e Diretor do CREEO

CREEO – Centro de Recuperação e Estudos da Obesidade

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